Nas organizações empresariais, o conceito de 5S é amplamente difundido, mas qual a conexão entre essa metodologia com a arte de correr uma ultramaratona? E por que aplicar esses princípios nesse contexto?

DE ONDE SURGIU?
O 5S foi criado no Japão no pós-guerra com o objetivo de proporcionar um ambiente de trabalho organizado, limpo, produtivo e seguro. Sua essência está nas iniciais das cinco palavras em japonês que compõem a metodologia: Seiri (Utilização), Seiton (Organização), Seisou (Limpeza), Seiketsu (Padronização), Shitsuke (Disciplina).
PARA ALÉM DO JAPÃO
Para além de empresas e Japão, podemos ver a aplicação dessa metodologia em diversas áreas da nossa vida diária e aqui trago o meu exemplo em ultramaratonas.
SEIRI – Utilização: apenas o necessário

O primeiro “S” nos ensina a separar o que é útil do que não é, mantendo em nossa área apenas aquilo que realmente precisamos.

Lembra que mencionei no capítulo anterior sobre Genchi Genbutsu? A partir dele que analisamos a distância, percurso, altimetria, a previsão do tempo e o tempo limite de prova são pontos decisivos na preparação.

E, justamente com essas informações, definimos o que levar: mochila de hidratação, alimentação, corta-vento, anorak (capa de chuva), kit de primeiros-socorros, lanterna de cabeça, pilhas reservas, manta térmica, celular, bastão etc. Cada item, cada grama devem ser escolhidos com cuidado para garantir a segurança, desempenho e evitar desgaste desnecessário. Garantindo que os “pit stops” sejam rápidos e eficazes.

SEITON – Organização: tudo em seu devido lugar

Seiton é o princípio de “um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar”.

Na ultramaratona, aplicamos esse conceito à estratégia de corrida, considerando o tempo estimado, a localização dos pontos de apoio/controle (PC) e o nível de desgaste físico. Com base nisso, organizamos os itens na mochila de forma funcional: os itens de uso frequente, como alimentação e suplementação, ficam nas partes frontal e lateral, permitindo acesso rápido enquanto se corre. Já os demais itens são acomodados na parte costal, de acordo com o momento em que poderão ser utilizados ao longo do percurso, seja por necessidade pontual ou em caso de auditoria durante a prova.

SEISOU – Limpeza

No ambiente corporativo, manter tudo limpo não é apenas questão de estética, mas de eficiência. A limpeza constante permite identificar problemas com antecedência, evitando falhas e paradas inesperadas. Na ultramaratona, é essencial prevenir qualquer situação que possa interferir na estratégia de corrida: por exemplo, o tênis está limpo e em boas condições, pois eles podem gerar bolhas, calos. O bastão está em condições de uso, fácil de montar e desmontar, a lanterna está carregada… A manutenção dos equipamentos e a acessibilidade durante a prova são fundamentais, uma vez que pequenos detalhes podem fazer toda a diferença durante o trajeto.

SEIKETSU – Padronização: consistência que gera resultados

Padronizar é garantir que as atividades sejam executadas da mesma forma, com qualidade e tempo controlado. O atleta que se preparou com base nos 3Ss anteriores (utilização, organização e limpeza), e manteve sua estratégia de corrida: ritmo, hidratação, alimentação e suplementação, tem grandes chances de alcançar seus objetivos com mais eficiência. Seguir o padrão de hidratação e de reposição de energia, os horários definidos para cada ação durante a corrida é o que vai atingir seu objetivo que é chegar na linha de chegada firme e forte.

SHITSUKE – Disciplina: garantir a eficiência e sustentabilidade

Por fim, a disciplina. Nas organizações, ela garante que os padrões sejam mantidos e os processos sejam seguidos de forma consistente.

Na ultramaratona, a disciplina se manifesta na resiliência para manter a estratégia, a economia de corrida, mesmo quando a euforia inicial sugere um ritmo mais forte e convida ao excesso, porque todos estão empolgados e cheios de energia. Gastar energia desnecessariamente é um desperdício que pode trazer prejuízos na parte final.

O que você ganha no início, você perde em dobro ou mais no final. Além disso, é necessário manter a disciplina do tempo da hidratação, alimentação e suplementação para garantir a reposição e manutenção da energia, que vai ser fundamental no final da prova.

Sem disciplina de execução, todo o planejamento e estratégia pode ir por água abaixo.

Como está a disciplina de execução na sua organização?

Com a organização em dia, o próximo passo é garantir que nada seja esquecido: o poder do checklist…

Observação: este é o quarto capítulo de uma série de artigos relacionando Lean com Ultramaratona. Fique conosco para desvendar como esses dois universos se relacionam.

 

Nelson Kondo, consultor, apaixonado por pessoas, gestão de negócios e melhoria contínua. Nasci em Apiaí, São Paulo, Brasil, e ao longo da minha carreira desenvolvi a habilidade em resolver problemas e ajudar as pessoas a alcançarem seu potencial máximo. Com mais de 30 anos de experiência em Produtividade, Lean e desenvolvimento de pessoas, onde acumulei um portifólio de projetos realizados. Além de minha carreira profissional, valorizo muito a minha família, que é o meu apoio. Aprendi a importância de ter uma vida pessoal e profissional bem equilibrada e bem vivida, sou um ultramaratonista, competitivo, gosto de desafios e de superar limites, o que me traz autoconhecimento, autorrealização, bem-estar e qualidade de vida.

Saiba mais sobre o autor aqui.

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